Chamado 6-12-25, este protocolo parece simples no papel, mas treinadores pessoais e culturistas juram pelos ganhos de massa muscular e força quando é feito corretamente. Combina levantamento pesado, volume clássico de musculação e “queimadura” de altas repetições num bloco brutal e muito bem estruturado.
O que é, na prática, o método de treino 6-12-25
O método 6-12-25 foi popularizado pelo lendário treinador de força Charles Poliquin e baseia-se num giant set - três exercícios para o mesmo grupo muscular, feitos seguidos, sem descanso entre eles.
Regra base: três exercícios para um grupo muscular, feitos para 6 repetições, depois 12, depois 25, repetidos por 3 a 5 rondas.
Cada giant set segue esta estrutura:
- Exercício 1: 6 repetições com carga pesada, geralmente um movimento composto
- Exercício 2: 12 repetições com carga moderada, muitas vezes um exercício acessório
- Exercício 3: 25 repetições com carga leve, tipicamente um exercício de isolamento
- Descanso: 3 minutos apenas após completar os três exercícios
Passa-se diretamente das 6 para as 12 e depois para as 25, sem pausas pelo meio. Quando o giant set termina, descansa-se três minutos e repete-se a sequência três a cinco vezes.
Como é uma sessão típica de 6-12-25
O método pode ser adaptado a qualquer grande grupo muscular, mas a lógica mantém-se: começar pesado, perseguir volume e terminar com altas repetições e sensação de ardor.
Protocolos de exemplo para grupos musculares-chave
| Grupo muscular | 6 reps (pesado) | 12 reps (moderado) | 25 reps (leve) |
|---|---|---|---|
| Peito | Supino | Press de ombros sentado | Aberturas inversas |
| Costas | Elevações na barra | Remada unilateral | “Superman” com peso |
| Pernas | Agachamento frontal | Good morning | Flexão de pernas (leg curl) |
Cada bloco é realizado por 3 a 5 rondas no total, com 3 minutos de descanso apenas entre rondas.
Pode organizar isto de várias formas:
- Divisão tradicional: dia de peito, dia de costas, dia de pernas ao longo da semana
- Divisão superior–inferior: peito e costas numa sessão, pernas noutro dia
- Corpo inteiro: um bloco 6-12-25 para a parte superior e outro para a inferior no mesmo treino
Quem é novo neste estilo tende a subestimar o quão desgastante é um giant set. Quando chega ao isolamento de 25 repetições, os músculos já vêm a tremer das 6 e das 12.
Se fizer as últimas cinco repetições sem fazer cara feia, a carga escolhida é demasiado leve.
Porque é que os treinadores usam o 6-12-25 para ganhar massa magra e força
O que distingue este método é que ataca três qualidades de treino numa só investida: força, hipertrofia e resistência muscular.
1. Força com as seis repetições pesadas
O primeiro exercício, a seis repetições, é onde se carrega a sério. Aqui entram o supino, o agachamento frontal, as elevações na barra ou outro grande movimento composto que permita mover peso significativo em segurança.
Normalmente está-se a trabalhar com uma percentagem elevada do máximo de uma repetição (1RM). Essas repetições pesadas recrutam grandes unidades motoras - fibras responsáveis pela força e potência “brutas”.
2. Tamanho com as doze repetições do meio
O segundo exercício baixa um pouco a carga e aponta ao intervalo clássico de construção muscular: cerca de 12 repetições.
Esta carga moderada e maior tempo sob tensão criam stress mecânico e microlesões que suportam o crescimento muscular, conhecido como hipertrofia. Continua a ser exigente, mas a técnica deve manter-se limpa.
3. Resistência e “pump” com as vinte e cinco finais
O último exercício é mais leve, mas com muitas repetições. As 25 repetições são onde muitos praticantes levam um “banho de humildade”.
Esta fase enche o músculo de sangue, aumenta o stress metabólico e desenvolve resistência local. A sensação de ardor é sinal de que fatigou profundamente as fibras já trabalhadas com cargas mais pesadas.
No final de um giant set 6-12-25, o músculo-alvo foi desafiado por vários ângulos e sistemas energéticos.
Como escolher as cargas e evitar erros comuns
Este método só funciona quando a carga é escolhida com critério. As últimas repetições de cada bloco devem ser difíceis, mas não caóticas.
Usar o seu 1RM como referência
Muitos treinadores recomendam usar um 1RM estimado para calibrar as cargas. Guia aproximado:
- 6 repetições: cerca de 75–85% do 1RM
- 12 repetições: cerca de 60–70% do 1RM
- 25 repetições: tão leve quanto necessário para terminar com boa forma, muitas vezes 30–50% do 1RM
Não precisa de percentagens exatas, mas precisa de honestidade. Se a técnica colapsa a meio, reduza a carga. Se no fim dos três exercícios ainda se sente fresco, aumente ligeiramente na próxima sessão.
Técnica primeiro, ego depois
Esta rotina é extremamente exigente em termos de fadiga. Por isso, a técnica não é negociável - sobretudo nos movimentos pesados de 6 repetições.
Tenha em atenção:
- Garantir uma base estável antes de cada série
- Controlar a fase de descida (excêntrica), não apenas a de subida
- Parar a série se surgir dor nas articulações (e não apenas fadiga muscular)
O objetivo é uma exaustão produtiva, não sobreviver a qualquer custo.
Para quem o 6-12-25 é indicado - e quem deve ter cuidado
Este método foi pensado para pessoas que já dominam a barra e conseguem executar movimentos compostos com confiança. Funciona bem para praticantes intermédios que estagnaram em programas tradicionais como 3×8 ou 5×5 e querem um estímulo novo.
Quem é novo no treino de força, ou está a regressar de lesão, normalmente beneficia mais de construir primeiro uma base. O descanso muito curto e o volume total elevado podem ser excessivos se ainda não houver força e coordenação básicas.
Pessoas com problemas cardíacos, limitações articulares ou níveis de stress muito altos (trabalho, pouco sono) devem falar com um profissional de saúde ou treinador qualificado antes de adotar um protocolo tão intenso.
Programação, recuperação e expectativas realistas
Como o 6-12-25 é exigente, o resto da semana tem de o suportar: frequência sensata, alimentação e sono.
- Frequência: 2–4 sessões por semana é típico
- Descanso entre o mesmo grupo muscular: pelo menos 24–48 horas
- Trabalho de apoio: cardio leve e mobilidade podem ajudar a recuperar, mas evite mais treino pesado para os mesmos músculos
O progresso costuma aparecer primeiro como melhor desempenho: concluir as séries sem baixar carga, ou atingir maior amplitude de movimento com a mesma carga. Os ganhos visíveis de massa seguem-se quando este método é acompanhado de calorias e proteína suficientes.
Termos-chave de treino que vale a pena entender
O método 6-12-25 gira em torno de algumas ideias que podem soar técnicas, mas são simples quando explicadas.
- Hipertrofia: processo de crescimento muscular através do aumento do tamanho das fibras musculares.
- Giant set: três ou mais exercícios seguidos para o mesmo grupo muscular, com descanso mínimo ou inexistente.
- Percorrer o rack: subir ou descer nos pesos dos halteres entre séries para encontrar a carga mais alta que consegue controlar com boa técnica.
- Exercício composto: movimento que envolve várias articulações e grupos musculares, como agachamentos ou remadas.
- Exercício de isolamento: movimento que foca sobretudo uma articulação e um grupo muscular, como curls de bíceps ou extensões de pernas.
Cenários práticos e formas de combinar o 6-12-25
Para alguém que treina três dias por semana, uma estrutura prática pode ser:
- Segunda-feira: 6-12-25 para pernas, mais trabalho leve de core
- Quarta-feira: 6-12-25 para peito e costas na mesma sessão
- Sexta-feira: 6-12-25 para ombros e braços, usando padrões semelhantes
Nos dias sem pesos, muitos treinadores sugerem cardio suave, caminhada ou rotinas de mobilidade. Estas atividades estimulam a circulação, aliviam dores musculares e apoiam a recuperação sem acrescentar fadiga pesada.
Alguns praticantes fazem o método em ciclos de 4 a 6 semanas como um “bloco de volume” focado, antes de voltarem a trabalho de força mais pesado ou a divisões de musculação mais tradicionais. Essa rotação pode ajudar a evitar esgotamento e manter progresso ao longo do ano.
Usado com critério, o 6-12-25 é menos um truque mágico e mais uma forma estruturada e implacável de pedir adaptação aos seus músculos.
Quando é aplicado com boa técnica, cargas realistas e descanso suficiente, este método oferece um caminho funcional e eficiente em tempo para construir massa magra e força relevante - não apenas para “posar ao espelho”, mas para se mexer melhor no dia a dia.
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