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Adeus, fritadeira: este novo aparelho de cozinha tudo-em-um combina nove métodos de confeção num só dispositivo e vai muito além de fritar.

Pessoa a cozinhar legumes numa grelha elétrica em cima de um balcão de cozinha.

O air fryer está ali no balcão, a zumbir como um pequeno motor a jato, outrora a estrela das receitas do TikTok e das “batatas saudáveis”. Agora, mesmo ao lado, uma nova máquina rouba discretamente as atenções. Uma cuba. Uma tampa. Um ecrã digital que parece mais um smartphone do que um forno. Tocas em “assar”, depois “cozinhar a vapor”, depois “air fry” sem mexer numa única travessa. O cheiro muda de frango estaladiço para brioche fofo em poucos minutos. Já não estás só a aquecer sobras - estás a gerir um mini-restaurante a partir de uma caixa de aço inoxidável com cerca de 40 cm.

Algures entre uma panela de pressão, um grelhador e um mini forno inteligente, este gadget tudo-em-um está, sem alarido, a reescrever as regras da cozinha em casa.

De fritadeira de uso único a centro de comando “nove-em-um”

O air fryer costumava parecer revolucionário. Atiravas batatas congeladas lá para dentro, pulverizavas um pouco de óleo, carregavas num botão e, de repente, eras o herói dos jantares a meio da semana. Depois veio a vaga: toda a gente tinha um, todas as marcas lançaram o seu, e todas as receitas pareciam iguais - nuggets, batatas, couve-flor crocante. A certa altura, a magia começou a desaparecer.

Agora entra em cena um novo aparelho e basicamente diz: “Fritar? Isso é só o aquecimento.” Esta máquina nove-em-um assa, tosta, grelha, cozinha a vapor, cozinha lentamente, desidrata, reaquece, frita com ar e até leveda massa - tudo num corpo compacto. Não quer um cantinho do teu balcão. Quer o palco inteiro.

Imagina isto. É quarta-feira à noite, estás cansado/a, o cérebro diz “mandar vir”, a conta bancária diz “por favor não”. Pões coxas de frango na panela com especiarias, tocas em “cozinhar sob pressão”. Quinze minutos depois, mudas para “air crisp” e terminas com uma rajada de calor seco. Na grelha superior, os legumes cozinham a vapor devagar, a absorver sabor em vez de óleo. Uma panela. Duas texturas. Zero malabarismos.

Na manhã seguinte, a mesma máquina. Mudanças para “iogurte” ou “low slow”, deixas leite e fermento durante a noite e acordas com iogurte caseiro na mesma cuba que, mais tarde, vais usar para uma massa “tudo numa panela”. É aí que percebes: isto não é um gadget - é um conceito. O fogão passa a ser o plano B, não o protagonista.

O que está realmente a acontecer é uma consolidação silenciosa. Durante anos, venderam-nos um eletrodoméstico novo para cada ansiedade: a panela de pressão para poupar tempo, a slow cooker para poupar esforço, o air fryer para poupar calorias, a máquina de pão para poupar idas à padaria. A tendência nove-em-um é o contrário: uma máquina, uma ficha, várias lógicas de confeção sobrepostas por software e sensores inteligentes.

É menos sobre “dá para fritar?” e mais sobre “dá para se adaptar?”. Tens programas automáticos, sim, mas também tens sequências: saltear e depois cozinhar lentamente; vapor e depois grelhar; assar e depois dar crocância com ar. Parece menos um brinquedo e mais um mini-chef escondido atrás de um ecrã tátil. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mas saber que podes, com uma tampa e uma cuba, muda a forma como olhas para a tua própria cozinha.

Como viver com um nove-em-um (sem perder a cabeça)

O segredo para não te sentires esmagado/a por uma máquina destas é começar com apenas dois ou três modos. Trata-a como um “forno inteligente plus”, não como uma nave espacial. Escolhe uma coisa que já cozinhas todas as semanas - frango assado, legumes no tabuleiro, peixe congelado - e passa a fazê-la no aparelho. Usa “assar” na primeira vez e, na segunda semana, faz exatamente a mesma receita com “vapor + assar” ou “vapor + air fry”.

Vais notar pequenas diferenças: interior mais suculento, dourado mais rápido, menos ressequido nas pontas. A verdadeira força está aí. Não és obrigado/a a entrar no mundo das “receitas de gadget”. Estás apenas a melhorar hábitos que já tens, um botão de cada vez, até o aparelho passar a ser o caminho padrão - não uma máquina “para ocasiões especiais”.

A maior armadilha é tentar todas as funções nos primeiros três dias. É assim que acabas frustrado/a, com um monte de acessórios que nunca mais tocas. Começa pelo que realmente resolve uma dor recorrente: salmão passado, sobras moles, arroz que cola sempre. Usa o modo de reaquecer para pizza e batatas em vez do micro-ondas. Troca o frango frito na frigideira por “air crisp” com uma pulverização rápida de óleo.

E sim, a questão da limpeza é real. Uma panela grande e funda pode parecer um castigo. Passa por água enquanto ainda está morna, esfrega com uma esponja macia e não sejas orgulhoso/a: forra com papel vegetal quando fizeres marinadas pegajosas. Já todos estivemos lá - aquele momento em que o lava-loiça já está cheio e a “panela tudo-em-um” parece mais uma loiça a mais. É aí que os hábitos decidem silenciosamente se a máquina vira a tua melhor amiga ou a tua próxima doação.

“O dia em que deixei de pensar ‘gadget novo’ e passei a pensar ‘isto agora é o meu forno’, foi o dia em que a minha cozinha finalmente acalmou”, diz a Clara, enfermeira de 34 anos, que trocou quatro aparelhos por um único nove-em-um.

Ela reduziu de um forno torradeira, uma panela elétrica de arroz, uma slow cooker e um air fryer para um cubo de inox numa prateleira estreita. A regra dela: se o prato não precisa de um tabuleiro grande, vai primeiro para a multicooker. Esse tipo de sistema pessoal vale mais do que saber todos os modos de cor.

Para facilitar, muitos utilizadores acabam por ter uma “cábula” curta e prática no frigorífico:

  • Batatas ou nuggets congelados → air fry em temperatura alta, agitar uma vez a meio
  • Frango ou porco seco → combinar vapor + grelhar para manter o interior suculento
  • Legumes de verão → assar com um salpico de água usando convecção + ventoinha baixa
  • Cozinhar em quantidade → cozer grãos sob pressão e depois “air crisp” por cima para textura
  • Pão e pizza → levedar em baixa temperatura e depois mudar diretamente para assar na mesma cuba

Um aparelho, cinco regras da casa. Normalmente, é tudo o que precisas.

A revolução silenciosa nos nossos balcões

Há algo subtil a mudar nas nossas cozinhas. Durante anos, o air fryer simbolizou rapidez e comida de conforto “com menos culpas”. Esta nova vaga de gadgets nove-em-um fala de outra coisa: o desejo de fazer mais com menos espaço, menos energia, menos carga mental. Uma ficha, uma área ocupada, várias soluções. Não é perfeito - nada é - mas em apartamentos pequenos, casas partilhadas, vida em carrinha/autocaravana, ou simplesmente para quem está farto de gerir tachos e panelas, isto muda a equação do dia a dia.

Talvez a parte mais interessante nem seja a tecnologia. É a rapidez com que nos adaptamos. Um dia estás cético/a, a revirar os olhos a mais um “aparelho milagroso”. Um mês depois, estás a cozinhar grão-de-bico em quantidade, a torná-lo crocante na mesma cuba e a mandar mensagens aos amigos com fotos de uma lasanha dourada a dizer: “Sim, saiu mesmo daquela coisa.” O velho air fryer não desaparece de um dia para o outro. Só deixa de ser o herói. De repente, fritar é apenas um capítulo numa história de cozinha muito maior.

Ponto-chave Detalhe Valor para o/a leitor/a
9 métodos de confeção em 1 Substitui air fryer, slow cooker, vaporizador, mini forno e mais Liberta espaço no balcão e reduz a confusão de aparelhos
Cozedura empilhável ou em vários níveis Cozinha proteína e acompanhamentos ao mesmo tempo num único aparelho Poupa tempo durante a semana e simplifica a preparação de refeições
Modos inteligentes em sequência Combina pressão + crocante, vapor + grelhar, levedar + assar Texturas “de restaurante” com esforço mínimo

FAQ:

  • Um nove-em-um é mesmo melhor do que um air fryer simples? Para batatas e nuggets básicos, são semelhantes. O nove-em-um brilha quando queres fazer mais: assados, estufados, pão, arroz, iogurte, gratinados com topo crocante e receitas em vários passos numa só panela.
  • A comida sabe tão bem como no forno? Em muitos pratos, sim - e muitas vezes melhor em porções pequenas. O ambiente mais fechado e as opções de vapor + calor mantêm a comida húmida, ao mesmo tempo que ajudam a dourar e a criar crocância.
  • Vai substituir o meu forno por completo? Nem sempre. Tabuleiros grandes de bolachas, pizzas familiares ou perus de Natal continuam a pedir um forno a sério. Para refeições do dia a dia para 1–4 pessoas, o tudo-em-um muitas vezes passa a ser o padrão.
  • É complicado aprender todas as funções? A interface parece confusa no início, mas a maioria das pessoas acaba por repetir três ou quatro modos. Normalmente começa-se com air fry, assar e reaquecer, e depois vai-se testando vapor, slow cook ou pressão.
  • O que devo verificar antes de comprar? Confere a capacidade em litros, a facilidade de limpeza, o nível de ruído, a rotulagem clara dos modos e se cabe debaixo dos armários. Procura avaliações fortes sobre fiabilidade e disponibilidade de peças de substituição.

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