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Receita clássica de pudim de chocolate: sabor intenso, mas leve.

Mãos retiram forma de um pudim de chocolate com calda numa travessa branca, sobre uma mesa de mármore.

O segredo de um pudim sedoso, não sonolento

Um bom pudim de chocolate não precisa de ser “atolado” em natas para saber a luxo. Muitas vezes fica pesado porque se tenta chegar à riqueza só com gordura, quando o que realmente dá prazer é textura + chocolate a sério.

O equilíbrio que costuma resultar:

  • Amido de milho dá estrutura e mantém a colherada leve (engrossa sem “empastar” como uma base feita apenas com natas).
  • Cacau + chocolate negro trazem intensidade, o que permite menos açúcar sem perder sabor.
  • Cozedura curta: quando ferve e engrossa, basta deixar a borbulhar 30–60 segundos para cozinhar o amido. Passar do ponto dá uma textura mais baça e “papa”.

Dois pormenores que fazem diferença (e poupam frustrações):

  • Cacau: use cacau em pó sem açúcar. Se for “cacau alcalinizado” (mais escuro), tende a ficar mais redondo; se for natural, fica mais vivo e pode pedir uma pitada extra de açúcar.
  • Pele por cima: se não gosta daquela película, cubra o pudim quente com película aderente encostada à superfície.

A receita clássica que não o deixa KO

Método simples, previsível, e com ingredientes fáceis de arranjar em Portugal.

Num tacho médio, ainda fora do lume, misture com um fouet:

  • 25–30 g de cacau em pó sem açúcar (cerca de ⅓ chávena)
  • 65–70 g de açúcar (cerca de ⅓ chávena)
  • 24 g de amido de milho (3 colheres de sopa)
  • 1 pitada de sal fino

Vá juntando, aos poucos, 600 ml de leite (meio-gordo ou gordo), sempre a bater, até ficar liso e homogéneo.

Leve a lume médio e mexa continuamente (não tem de ser frenético, mas não pare). Quando começar a engrossar, acontece depressa. Assim que levantar fervura e fizer bolhas grandes:

  1. Mantenha a borbulhar 30–60 segundos, sempre a mexer (para remover o sabor cru do amido).
  2. Retire do lume e adicione:
    • 1 colher de chá de baunilha (5 ml)
    • 60–80 g de chocolate negro picado (idealmente 60–70% cacau)

Mexa até derreter por completo e ficar brilhante. Divida por taças/copinhos.

Ponto certo (sem termómetro): no fogão deve parecer “chocolate quente espesso”. No frio vai firmar mais. Se no tacho já parecer uma massa muito dura, é provável que tenha cozinhado em excesso.

Dicas para evitar os erros mais frequentes:

  • Use chocolate negro 60–70%: abaixo tende a ficar doce demais; acima pode ficar mais seco/amargo numa base de leite.
  • Lume médio (não alto): engrossa sem queimar no fundo.
  • Se surgirem grumos, não entre em pânico: passe por um coador fino ou dê 10 segundos com varinha mágica.

Arrefecimento: deixe perder calor e leve ao frigorífico. Em geral, 2–3 horas dão uma textura mais “de sonho”; no dia seguinte fica mais firme.

Porque é que este pudim sabe diferente quando se come

Sabe a rico, mas termina limpo. A primeira colherada é intensa (cacau + chocolate), e a textura é sedosa sem aquela sensação de “filme” de gordura que pede um chá e uma caminhada.

Na prática, isto também influencia quando e como o serve:

  • Resulta em porções pequenas (copos de café expresso, taças pequenas, frascos), sem ficar a sensação de “sobremesa a mais”.
  • Aguenta bem no frigorífico como doce de semana: tapado, costuma estar no ponto durante até 3 dias (depois a textura pode ficar mais elástica).
  • Vale mais investir no chocolate do que nas natas: geralmente melhora mais o sabor do que aumentar a gordura.

Para finalizar sem pesar: uma colher pequena de iogurte grego, raspas de chocolate, nibs de cacau, ou apenas uma pitada de flor de sal.

Um pequeno ritual fácil de partilhar

É daquelas sobremesas que cabem na vida real: um tacho, 10–12 minutos ao lume, e está feito. Sem forno, sem batedeira, sem mil passos - só atenção ao ponto.

Também é uma base simples de adaptar sem estragar a textura:

  • Troque 60–100 ml de leite por café para um toque “mocha”.
  • Raspa de laranja (pouca) fica especialmente bem com chocolate negro.
  • Canela ou uma ponta de malagueta: use o mínimo, só para “acordar” o cacau.

É uma receita boa para passar adiante porque dá uma vitória rápida: parece elaborada, mas é técnica simples bem executada.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Textura equilibrada Amido de milho + fervura curta + arrefecimento Sedoso e leve, sem ficar pastoso
Sabor acima da gordura Cacau + chocolate negro 60–70%, açúcar moderado Chocolate intenso sem “peso”
Método simples Misturar secos, juntar leite aos poucos, mexer até engrossar Poucas ferramentas, resultado consistente

FAQ:

  • Posso usar apenas cacau em pó e dispensar o chocolate?
    Pode. Suba o cacau para cerca de 40–45 g (½ chávena) e ajuste o açúcar (+ 1–2 colheres de sopa, a gosto). Fica com sabor mais “clássico”, menos redondo do que com chocolate.
  • Isto funciona com bebida vegetal?
    Em muitos casos, sim - especialmente soja ou aveia mais “cremosa”. Pode precisar de mais 1 colher de chá de amido de milho se gostar mais firme (varia muito por marca).
  • Quanto tempo dura o pudim no frigorífico?
    Regra prática: até 3 dias, bem tapado. Não deixe muito tempo à temperatura ambiente; arrefeça e leve ao frio assim que estiver morno.
  • Porque é que o meu pudim ficou com grumos?
    Normalmente por leite mal incorporado nos secos, lume demasiado alto, ou pausas longas sem mexer. Para salvar: coador fino (ou varinha mágica por poucos segundos) e volte a mexer até ficar liso.
  • Posso servi-lo morno em vez de frio?
    Sim. Deixe repousar 5–10 minutos para assentar e sirva morno com uma colher pequena de iogurte grego ou natas - pouco, só para contraste.

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